Introdução ao Monomito (Jornada do Herói)

Abr 28, 2020

Em 1949 Joseph Campbell utiliza pela primeira vez o termo monomito, também conhecido como jornada do herói, para definir um padrão encontrado em diversas histórias capaz de trazer familiaridade inconsciente ao leitor, bem como servir de guia a novos autores que buscam narrativas bem desenvolvidas e coesas. O objetivo deste texto é te apresentar essa ferramenta e ajudá-lo a compreender melhor o divisor comum presente em Bilbo Bolseiro de “O Hobbit”, “Harry Potter” e até mesmo Jesus Cristo. Ah, e claro, como esta receita, ainda que sem todos os ingredientes, pode resultar em excelentes preparos.

O trabalho onde Campbell da luz ao termo é “O Herói de Mil Faces”, e nele o autor nos apresenta uma estrutura básica comum a diversos grandes personagens que a utilizam em diferentes níveis. São eles:

1.    Partida ou separação

Durante esta fase o herói aspira e dá início a sua jornada.

2.    Iniciação

Neste momento ele passa por diversas aventuras transformadoras.

3.    Retorno

Por fim, ele retorna a sua casa ou estado de origem, carregando as experiências, conhecimentos e poderes adquiridos durante a jornada.

No final os anos 1990, Christopher Vogler escreve o memorando “The Writer’s Journey: Mythic Sctructure for Writers” que serviria como guia para roteiristas dos estúdios Walt Disney. O roteirista teve como base o trabalho de Campbell, expandindo-o e explorando de forma mais detalhista esta estrutura. Agora os estágios seriam 12:

1.    Mundo comum

Representa o ambiente de início, marcado pela zona de conforto, rotina;

2.    O chamado da Aventura

É o momento em que mudanças se tornam iminentes;

3.    Recusa do chamado

Neste estágio o personagem se recusa a aceitar o desafio, seja por medo ou receio, por exemplo;

4.    Palavra do mentor

É quando o herói é convencido a aceitar o chamado e estabelece uma relação aprendiz com um futuro mestre;

5.    Travessia do limiar

O momento em que o protagonista sai de sua zona de conforto rumando ao desconhecido;

6.    Aliados e inimigos

Ao ser apresentado a este novo ambiente o personagem faz amigos e inimigos;

7.    Fronteira de perigo

Após superar desafios iniciais ele se depara com algo maior, geralmente onde está o que busca;

8.    Provação difícil

Momento de tensão onde enfrenta momento de grande dualidade: alcançar o que busca ou ser derrotado;

9.    Recompensa ou elixir

O herói venceu o desafio e conquistou o que buscava;

10.  O caminho de volta

Este é o momento do retorno, onde ainda há inimigos e perigo.

11. Ressurreição do herói

Este estágio pode ser considerado um teste final, onde o protagonista precisa utilizar tudo que foi aprendido;

12. Regresso com o elixir

O protagonista, transformado por tudo que viveu, volta a seu habitat natural.

Tenho certeza que ao ler essas guidelines conseguiu associá-las a diversas histórias, sejam elas da Disney ou não. Fica aqui então um pequeno exercício: visitar obras populares e tentar visualizar este desenho de pontos sendo ligado. Seguem algumas sugestões: Luke Skywalker na primeira trilogia de “Star Wars”, Dorothy de “O Mágico de Oz” e Ian de “Dois Irmãos”, filme mais recente da Pixar para ilustrar como este conceito é ainda aplicado nos dias de hoje.

É possível ver os conceitos do monomito sendo aproveitados até em planos de marketing pessoal, por isso compreendê-lo pode ser então um passo importante não só para melhor degustar histórias, ou evoluir na criação de suas próprias, como no desenvolvimento de diversas outras habilidades e formas de avaliar e compreender o teu próprio caminho.

Seguem links dos materiais citados neste texto, utilizando-os você ajuda o blog a chegar a mais pessoas.

O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell

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A Jornada do Escritor: Estrutura mítica para escritores

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Star Wars Dark edition, primeira trilogia

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Star Wars Trilogia – DVD

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O Hobbit – Livro

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O Mágico de Oz – Livro

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